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“Lamentável e deprimente.” Ana Gomes admite refletir sobre candidatura à Presidência da República

22-05-2020 - Lusa

Ana Gomes ficou chocada depois de ouvir António Costa declarar apoio a uma recandidatura de Marcelo Rebelo e Sousa e admitiu refletir sobre uma potencial candidatura à Presidência da República.

A ex-eurodeputada socialista  Ana Gomes  afirmou, este domingo, que vai refletir sobre as presidenciais, por considerar que “mudou muita coisa” com o primeiro-ministro a antecipar um segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. No seu espaço de comentário na SIC Notícias, Ana Gomes anunciou que estaria “a refletir” numa candidatura.

Na quarta-feira, no final de uma visita à Autoeuropa, António Costa fez alusão  à eventual recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Ana Gomes não gostou: “Acho que neste momento todos temos todos de refletir na implicações do que se passou, nas implicações que vai ter na democracia”, disse.

Para António Costa, “estabeleceu-se uma nova tradição de que o Presidente da República e o primeiro-ministro visitam em conjunto” a Autoeuropa.

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“Foi assim em 2016, no primeiro ano de mandato do Presidente da República, e foi agora no último ano do seu atual mandato. Tenho uma boa data simbólica a propor para fazermos uma terceira visita em conjunto e para partilharmos uma refeição com os colaboradores da Autoeuropa: A terceira data  é no primeiro ano do próximo mandato  do senhor Presidente da República”, afirmou.

Este domingo, Ana Gomes indicou que era necessário refletir porque eram declarações que trazem consequências. “Acho que todos os democratas têm de refletir. Isto tem consequências. Haver um candidato do regime [Marcelo Rebelo de Sousa] que polariza a sociedade,  faz o jogo da extrema-direita . É muito perigoso para a democracia. Todos temos de refletir e eu também vou refletir.”

Questionada pela jornalista da SIC sobre se admite avançar com uma candidatura às presidenciais, Ana Gomes respondeu que “ admito refletir. É isso que vou fazer “.

Para a ex-eurodeputada, o episódio foi “ lamentável, deprimente mesmo “. “Nunca se viu. O lançamento do Presidente da República ser anunciado numa fábrica de automóveis por alguém que nem sequer estava na qualidade de dirigente partidário, mas na qualidade de primeiro-ministro”, afirmou.

Na sua opinião “a democracia não está suspensa”, mas “parece que alguns pensam que está suspensa no PS”.

Ana Gomes criticou então o presidente do PS, Carlos César, pelas suas declarações ao jornal Público, em que remeteu o congresso previsto para este ano para depois das eleições presidenciais, acusando-o de falar com “uma leviandade paternalista insuportável”.

Ressalvando que no presente não é candidata e nem ambicionava sê-lo, Ana Gomes reforçou a mensagem de que “ o que se passou é tão grave , tem tantas implicações para a democracia” que impõe “uma reflexão”, porque “a situação não é igual ao dia anterior”.

“Eu fico muito preocupada pelo meu partido e pela democracia. E acho que muitos portugueses do centro-esquerda, da esquerda e da própria direita democrática estão preocupados – porque isto tem repercussões, obviamente, para o PSD”, disse.

Nas últimas eleições presidenciais, em 2016, em que o antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com 52% dos votos, houve dois candidatos da área política do PS, Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, e o partido não declarou apoio oficial a nenhum.

 

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